Fertilidade

Preservação da fertilidade: quando e por que considerar?

Por Dr. Felipe Costa · Fevereiro de 2025 · 6 min de leitura
Laboratório de criopreservação

Congelar óvulos deixou de ser uma decisão de último recurso para se tornar uma escolha estratégica. Cada vez mais mulheres optam por preservar sua fertilidade antes que o tempo biológico imponha limitações.

A fertilidade feminina está diretamente ligada à idade. Ao nascer, uma menina tem aproximadamente 1 a 2 milhões de óvulos. Na puberdade, esse número cai para cerca de 300 mil. E a partir dos 30 anos, a reserva ovariana diminui de forma progressiva — e a qualidade dos óvulos também.

A preservação da fertilidade surge como uma resposta a essa realidade: uma forma de "pausar o relógio biológico" e garantir que os óvulos de hoje — mais jovens e de melhor qualidade — estejam disponíveis para uma gestação futura.

O que é a preservação da fertilidade?

A preservação da fertilidade envolve a captação e o congelamento de óvulos (criopreservação de óvulos) ou embriões para uso futuro. É um procedimento seguro, com técnica consolidada, e os resultados têm melhorado significativamente com o avanço da vitrificação — o método moderno de congelamento ultra-rápido que preserva melhor a integridade das células.

Para quem é indicada?

1. Mulheres que desejam adiar a maternidade

Seja por razões profissionais, pessoais ou por ainda não ter encontrado o parceiro certo, muitas mulheres optam por congelar óvulos antes dos 35 anos — quando a reserva e a qualidade ovocitária ainda são adequadas. Essa é a indicação mais comum hoje em dia.

2. Pacientes oncológicas

Tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem comprometer permanentemente a função ovariana. Por isso, mulheres em idade fértil diagnosticadas com câncer são frequentemente encaminhadas para preservação da fertilidade antes de iniciar o tratamento oncológico — a chamada oncofertilidade.

3. Endometriose

A endometriose pode afetar progressivamente a reserva ovariana, especialmente quando há cistos ovarianos (endometriomas). Mulheres com endometriose que ainda não desejam engravidar podem considerar a preservação como medida preventiva.

4. Baixa reserva ovariana

Algumas mulheres, mesmo jovens, apresentam reserva ovariana diminuída. Nesses casos, preservar óvulos enquanto ainda é possível pode ser a melhor estratégia para garantir uma gestação futura.

5. Casais que fazem FIV

Em ciclos de fertilização in vitro, os embriões excedentes — aqueles não transferidos — podem ser criopreservados para uso em futuras tentativas, evitando a necessidade de nova estimulação ovariana.

"Preservar óvulos antes dos 35 anos é uma das decisões mais inteligentes que uma mulher pode tomar pelo próprio futuro reprodutivo."

Como funciona o processo?

  1. Avaliação inicial: dosagem do AMH (hormônio anti-mülleriano) e ultrassonografia para contagem de folículos antrais — exames que avaliam a reserva ovariana
  2. Estimulação ovariana: injeções de hormônios por 10 a 14 dias para produzir múltiplos óvulos
  3. Monitoramento: ultrassonografias e exames de sangue para acompanhar o desenvolvimento dos folículos
  4. Captação dos óvulos: procedimento ambulatorial, com sedação leve, realizado por via transvaginal
  5. Vitrificação: os óvulos maduros são congelados e armazenados em nitrogênio líquido a -196°C

Qual a melhor idade para preservar?

Quanto mais jovem, melhor. Os melhores resultados são obtidos com óvulos captados até os 35 anos. A partir dos 37-38 anos, a qualidade ovocitária declina de forma mais acentuada e as taxas de sucesso diminuem.

Isso não significa que preservar após os 35 seja inútil — mas a avaliação individualizada da reserva ovariana é fundamental para definir se o procedimento ainda é viável e vantajoso naquele momento.

Por quanto tempo os óvulos podem ficar congelados?

Tecnicamente, óvulos e embriões vitrificados podem ser armazenados indefinidamente sem perda de qualidade. No Brasil, a legislação atual permite o armazenamento por tempo indeterminado, desde que mantido o vínculo com a clínica responsável.

Quer saber se a preservação da fertilidade é indicada para você? Agende uma avaliação com o Dr. Felipe Costa.

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