Fertilidade

Indução da ovulação: o que é, como funciona e quando é indicada?

Por Dr. Felipe Costa · Janeiro de 2025 · 6 min de leitura
Tratamento de fertilidade com indução da ovulação

A indução da ovulação é muitas vezes o primeiro passo no tratamento da infertilidade. Simples, eficaz e menos invasiva do que outros procedimentos, ela pode ser a chave para a gravidez em muitos casos.

Quando uma mulher não ovula de forma regular — ou não ovula — as chances de engravidar naturalmente ficam comprometidas. A indução da ovulação é uma estratégia médica que, por meio de medicamentos, estimula os ovários a produzir e liberar óvulos de forma controlada.

O que é a ovulação e por que ela pode falhar?

A ovulação é o processo pelo qual um folículo maduro do ovário se rompe e libera um óvulo apto para ser fecundado. Esse processo é regulado por hormônios — principalmente o FSH (hormônio folículo estimulante) e o LH (hormônio luteinizante).

Quando há alterações nessa regulação hormonal, a ovulação pode ser irregular ou estar ausente. As causas mais comuns incluem:

  • Síndrome dos ovários policísticos (SOP) — a causa mais frequente de anovulação
  • Alterações na tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo)
  • Hiperprolactinemia (excesso de prolactina)
  • Baixo ou alto peso corporal
  • Exercício físico intenso
  • Estresse crônico
  • Insuficiência ovariana prematura

Como funciona a indução da ovulação?

O tratamento começa com uma avaliação completa da mulher — exames hormonais, ultrassonografia ovariana e investigação das trompas — para identificar a causa da anovulação e definir o protocolo adequado.

Os medicamentos mais utilizados são:

  • Citrato de clomifeno (Clomid): comprimido oral tomado nos primeiros dias do ciclo. Estimula a produção de FSH e induz o desenvolvimento folicular. É a primeira linha de tratamento na SOP.
  • Letrozol: inibidor de aromatase, também em comprimido. Tem demonstrado resultados superiores ao clomifeno em mulheres com SOP e sobrepeso.
  • Gonadotrofinas: injeções de FSH ou LH sintéticos, usadas quando os medicamentos orais não são suficientes ou em casos mais complexos.
"A indução da ovulação não é 'forçar' o corpo a fazer algo que não consegue. É corrigir um desequilíbrio hormonal para que ele funcione como deveria."

Como o tratamento é monitorado?

O monitoramento é fundamental para garantir a segurança e a eficácia do tratamento. É feito por meio de:

  • Ultrassonografias seriadas: para avaliar o crescimento dos folículos e o espessamento do endométrio
  • Exames de sangue: dosagem de estradiol e progesterona conforme necessário
  • Gatilho ovulatório: quando o folículo atinge o tamanho adequado (geralmente 18 a 20 mm), é aplicada uma injeção de hCG para desencadear a ovulação em momento preciso

A indução pode ser combinada com outros tratamentos?

Sim. A indução da ovulação é frequentemente combinada com a inseminação intrauterina (IIU) — procedimento em que espermatozoides preparados em laboratório são depositados diretamente no útero no período fértil. Essa combinação aumenta as chances de fecundação.

Quando os resultados não são satisfatórios após alguns ciclos de indução (geralmente 3 a 6), o próximo passo costuma ser a fertilização in vitro (FIV).

Quais são os riscos?

O principal risco é a síndrome de hiperestimulação ovariana (SHO), que ocorre quando os ovários respondem de forma exagerada ao estímulo hormonal. Por isso, o monitoramento cuidadoso é essencial — e um dos grandes diferenciais de um tratamento bem conduzido.

Com medicamentos orais, o risco de SHO é muito baixo. Com gonadotrofinas, o monitoramento precisa ser mais rigoroso.

Outro ponto de atenção é a gestação múltipla: estimular vários folículos ao mesmo tempo aumenta a chance de gêmeos. Por isso, o objetivo do tratamento é sempre o crescimento de 1 a 2 folículos dominantes.

Ciclos irregulares ou ausência de ovulação? Agende uma avaliação para entender as causas e as opções de tratamento.

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