Obstetrícia

Pré-natal: quando começar e o que esperar em cada trimestre

Por Dr. Felipe Costa · Março de 2025 · 8 min de leitura
Gestante em consulta de pré-natal

O pré-natal é muito mais do que uma série de consultas e exames — é o acompanhamento de uma das fases mais transformadoras da vida de uma mulher. Começa antes mesmo de perceber a gravidez, e vai até o momento do parto.

Descobrir a gravidez é um momento cheio de emoções. E, junto com a alegria, vem uma lista de perguntas: quando marcar a primeira consulta? Quais exames fazer? Quantas ultrassonografias são necessárias? O que é considerado normal em cada fase?

Este guia responde às principais dúvidas sobre o pré-natal de forma clara e completa.

Quando começar o pré-natal?

Idealmente, a primeira consulta de pré-natal deve ser realizada assim que a gravidez for confirmada — preferencialmente entre a 6ª e a 8ª semana de gestação. Quanto mais cedo, melhor: o início precoce permite identificar fatores de risco, ajustar medicamentos, iniciar suplementação correta e estabelecer uma relação de confiança com o médico antes das fases mais críticas.

Mulheres com doenças crônicas (diabetes, hipertensão, doenças autoimunes) ou histórico de complicações em gestações anteriores devem buscar atendimento ainda mais cedo — idealmente antes de engravidar, na consulta pré-concepcional.

Primeiro trimestre (semanas 1 a 13)

O primeiro trimestre é o período de maior formação do bebê — e de maior adaptação do organismo materno. É nessa fase que ocorrem as náuseas, o cansaço intenso e as mudanças hormonais mais acentuadas.

Principais exames do 1º trimestre:

  • Beta-HCG quantitativo (confirmação e acompanhamento da gestação)
  • Ultrassonografia obstétrica transvaginal (confirma viabilidade e data da gestação)
  • Translucência nucal + rastreamento combinado do 1º trimestre (entre 11 e 13 semanas)
  • Hemograma completo, tipagem sanguínea e Fator Rh
  • Glicemia de jejum
  • Sorologias: toxoplasmose, rubéola, sífilis, hepatite B e C, HIV, citomegalovírus
  • Urina tipo I e urocultura
  • Função tireoidiana (TSH)
"O primeiro trimestre é o alicerce da gestação. Um pré-natal bem iniciado nessa fase reduz significativamente os riscos nas etapas seguintes."

Segundo trimestre (semanas 14 a 27)

O segundo trimestre costuma ser o mais tranquilo para a maioria das mulheres. As náuseas diminuem, o barrigão começa a aparecer de verdade e os movimentos do bebê se tornam perceptíveis — geralmente entre a 18ª e a 20ª semana.

Principais exames do 2º trimestre:

  • Ultrassonografia morfológica (entre 20 e 24 semanas) — avaliação detalhada das estruturas do bebê
  • Ecocardiografia fetal (entre 24 e 28 semanas) — avaliação do coração do bebê
  • Doppler obstétrico — avaliação do fluxo sanguíneo placentário
  • Repetição de sorologias conforme indicação
  • Colpocitologia (Papanicolau) se não realizado recentemente

Terceiro trimestre (semanas 28 ao parto)

No terceiro trimestre, as consultas ficam mais frequentes — geralmente a cada 2 a 3 semanas, e semanais nas últimas semanas. O foco é monitorar o crescimento e a posição do bebê, avaliar o colo do útero e se preparar para o parto.

Principais exames do 3º trimestre:

  • Teste de tolerância à glicose (curva glicêmica) — rastreamento de diabetes gestacional, entre 24 e 28 semanas
  • Ultrassonografia obstétrica de 3º trimestre (entre 30 e 34 semanas)
  • Cardiotocografia (monitoração dos batimentos cardíacos fetais)
  • Streptococcus do grupo B (Estreptococo B) — swab vaginal entre 35 e 37 semanas
  • Hemograma e coagulograma pré-parto

Quantas consultas são necessárias?

O Ministério da Saúde recomenda no mínimo 6 consultas de pré-natal. O acompanhamento individualizado pelo obstetra pode demandar mais consultas, especialmente em gestações de alto risco. A frequência ideal é:

  • 1º trimestre: a cada 4 a 6 semanas
  • 2º trimestre: a cada 4 semanas
  • 3º trimestre: a cada 2 a 3 semanas (e semanal a partir da 37ª semana)

O que é pré-natal de alto risco?

O pré-natal de alto risco é indicado para gestantes com condições que aumentam a chance de complicações — para a mãe, para o bebê ou para ambos. Entre as principais situações estão:

  • Diabetes gestacional ou pré-gestacional
  • Hipertensão arterial ou pré-eclâmpsia
  • Doenças autoimunes (lúpus, artrite reumatoide)
  • Gestações múltiplas (gêmeos, trigêmeos)
  • Histórico de partos prematuros ou perdas gestacionais
  • Alterações fetais detectadas nos exames
  • Idade materna acima de 35 anos

Isso não significa que a gestação será necessariamente complicada — significa que o acompanhamento precisa ser mais próximo e especializado.

Preparação para o parto

Nas últimas semanas de gestação, as consultas incluem a discussão sobre a via de parto, a avaliação do colo uterino, as preferências da gestante e o plano de parto. É o momento de tirar todas as dúvidas e chegar ao dia do parto com segurança e tranquilidade.

Está grávida ou planejando engravidar? Agende seu pré-natal com o Dr. Felipe Costa e tenha acompanhamento especializado desde o início.

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