O passo a passo da Fertilização in Vitro: da avaliação inicial ao teste positivo
Quando a fertilização in vitro entra na conversa, a primeira reação costuma ser um misto de esperança e insegurança. Conhecer cada etapa do tratamento é um dos melhores caminhos para atravessá-lo com mais tranquilidade.
A fertilização in vitro (FIV) é um tratamento de alta complexidade em que a fecundação acontece em laboratório, e não dentro do corpo da mulher. Parece distante, mas na prática é um processo organizado em etapas, cada uma com um objetivo claro, acompanhada de perto pela equipe médica.
Saber o que esperar de cada fase ajuda o casal a se preparar, a fazer as perguntas certas e a lidar melhor com a ansiedade. Veja, a seguir, como o caminho costuma acontecer.
1. Avaliação inicial do casal
Todo tratamento começa com uma investigação cuidadosa. Na primeira consulta, o médico conhece o histórico do casal: há quanto tempo tentam engravidar, ciclos menstruais, cirurgias, doenças prévias e tratamentos já realizados.
Em geral, são solicitados exames para avaliar os dois lados:
- Reserva ovariana: ultrassonografia com contagem de folículos antrais e dosagem hormonal, como o hormônio antimülleriano (AMH).
- Útero e trompas: exames de imagem para verificar a cavidade uterina e a permeabilidade tubária, quando indicado.
- Espermograma: análise da quantidade, mobilidade e formato dos espermatozoides.
- Exames de sangue e rastreio infeccioso: necessários para a segurança do tratamento.
Com esse conjunto de informações, o médico define se a FIV é realmente o melhor caminho e monta um protocolo individualizado. Nem todo casal precisa de fertilização in vitro, e esse é justamente o papel da avaliação.
2. Estimulação ovariana
Em um ciclo natural, a mulher costuma desenvolver apenas um óvulo maduro por mês. Na FIV, o objetivo é obter mais óvulos em um mesmo ciclo, aumentando as chances de se chegar a embriões de boa qualidade.
Para isso, a mulher usa medicações hormonais, geralmente injetáveis, por cerca de 8 a 12 dias, em doses e combinações definidas conforme a idade, a reserva ovariana e a resposta de cada paciente. A estimulação é acompanhada por ultrassonografias seriadas e, quando necessário, exames de sangue, o que permite ajustar a dose ao longo do caminho e conduzir o ciclo com segurança.
Quando os folículos atingem o tamanho adequado, é feita uma medicação chamada de gatilho, responsável pela maturação final dos óvulos. O horário dessa aplicação é calculado com precisão, porque define o momento exato da coleta.
"A estimulação não é uma receita pronta. O protocolo é desenhado para cada mulher e ajustado a cada ultrassom."
3. Coleta dos óvulos
A coleta, também chamada de punção folicular, acontece cerca de 34 a 36 horas após o gatilho. É um procedimento rápido, realizado em ambiente cirúrgico, com sedação, guiado por ultrassom por via transvaginal. Não há cortes nem pontos.
Após um curto período de observação, a paciente costuma ter alta no mesmo dia. Pode haver desconforto leve, parecido com cólica, e sensação de abdome inchado nos dias seguintes, que a equipe orienta como acompanhar. No mesmo dia, o parceiro fornece a amostra de sêmen, ou são utilizados espermatozoides previamente congelados ou obtidos por procedimento específico, quando houver indicação.
4. Fertilização no laboratório
No laboratório de embriologia, os óvulos são identificados e preparados, e o sêmen é processado para selecionar os melhores espermatozoides. A fecundação pode ocorrer de duas formas, definidas pela equipe conforme o caso:
- FIV convencional: óvulos e espermatozoides são colocados juntos e a fecundação acontece de forma espontânea.
- ICSI: um único espermatozoide é injetado diretamente dentro do óvulo, com auxílio de microscópio. Para entender as diferenças, leia o artigo FIV ou ICSI: qual a diferença?
No dia seguinte, a equipe avalia quantos óvulos foram fecundados. A partir daí, os embriões são cultivados em incubadoras com temperatura, umidade e composição gasosa controladas, e acompanhados diariamente. Em muitos casos, o cultivo se estende até o quinto ou sexto dia, fase conhecida como blastocisto, em que é possível avaliar melhor o potencial de cada embrião.
5. Transferência embrionária
A transferência é o momento em que o embrião é colocado no útero. Ela pode ser feita logo após o cultivo (transferência a fresco) ou em um ciclo posterior, com embriões previamente congelados. Hoje, a transferência de embriões congelados é uma estratégia muito utilizada, pois permite preparar o endométrio com mais calma e, quando indicado, realizar o teste genético dos embriões antes da transferência.
O procedimento é simples e rápido: com um cateter fino, guiado por ultrassom, o embrião é depositado na cavidade uterina. Em geral, não exige sedação e é bem tolerado. O número de embriões transferidos é discutido com o casal, levando em conta a idade da mulher, a qualidade embrionária e a segurança da gestação.
Embriões saudáveis que não forem utilizados podem ser congelados para tentativas futuras, sem necessidade de repetir toda a estimulação ovariana.
6. A espera e o teste de gravidez
Depois da transferência, o médico orienta a medicação de suporte e os cuidados dos dias seguintes. O exame de sangue que dosa o beta-hCG, o hormônio da gestação, é realizado em torno de 10 a 14 dias após a transferência, conforme a orientação da equipe.
Essa é, para muitos casais, a fase emocionalmente mais difícil. Evitar testes de farmácia antes da data combinada ajuda a prevenir resultados confusos e angústia desnecessária. Se o exame for positivo, o acompanhamento continua com novas dosagens e ultrassonografias nas semanas seguintes para confirmar a evolução da gestação. Se não for, a equipe revisa o ciclo com o casal e discute os próximos passos.
O que influencia os resultados?
Não existe um número único de sucesso que valha para todos. Os resultados dependem principalmente da idade da mulher, da reserva ovariana, da qualidade dos embriões, de fatores uterinos e do fator masculino. Por isso, é importante desconfiar de promessas genéricas e conversar sobre as chances do seu caso, com base na sua avaliação individual.
Também é comum que o tratamento exija mais de um ciclo. Isso faz parte da realidade clínica e não significa que algo deu errado. Cada tentativa traz informações valiosas para ajustar a estratégia.
Cuidar do casal vai além do procedimento
A FIV exige tempo, rotina e energia emocional. Contar com uma equipe que explique cada fase, esclareça dúvidas e esteja disponível nos momentos de incerteza faz diferença real na experiência do tratamento. Se a ansiedade pesa, vale também ler sobre como cuidar da saúde mental durante as tentativas.
Está avaliando a fertilização in vitro e quer entender como seria o seu caminho? Agende uma consulta com o Dr. Felipe Costa.
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